sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Brasil avança, mas é só 73º em desenvolvimento humano


O Brasil foi o país que mais avançou no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) preparado pelo Programa das Nações Unidas para Desenvolvimento (PNUD). No documento deste ano, divulgado hoje, o Brasil passa a ocupar a 73ª colocação, desempenho suficiente para que integre o grupo de países de desenvolvimento humano elevado. Apesar do crescimento, o País ainda apresenta traços importantes de desigualdade social.
Na avaliação deste ano, o Brasil obteve quatro pontos a mais em comparação com 2009. O desempenho é significativo, sobretudo diante do cenário de estagnação revelado pelo estudo. Dos 169 países analisados, 116 mantiveram a posição apresentada em 2009 e 27 tiveram desempenho pior. Além do Brasil, somente outros 25 conseguiram melhorar a classificação, de acordo com o relatório.
O IDH analisa indicadores de desempenho de países em três áreas: saúde, educação e rendimento. Este ano, os indicadores e a forma de cálculo para se chegar ao índice mudaram. A escala, no entanto, permanece: varia de 0 a 1. Quanto mais próxima de um, melhor a situação do país. O Brasil alcançou índice 0,699. Noruega, a primeira colocada, chegou a 0,938. O pior indicador foi do Zimbábue: 0,140. Os países são classificados em quatro níveis, de acordo com as notas: desenvolvimento humano muito elevado, elevado, médio e baixo.
A mudança na composição do IDH ocorre no aniversário de 20 anos do relatório. "Os critérios de desenvolvimento humano mudaram, e a ideia foi usar indicadores mais sensíveis a essas mudanças", explica o economista Flávio Comim, do PNUD. A alteração deste ano fez com que índices de vários países, incluindo o Brasil, despencassem em relação ao ano passado. "Mas esses são números que não podem ser comparados. A metodologia é outra, o padrão é outro. É como se estivéssemos usando uma nova régua", compara Comim.
Indicadores nacionais
Para poder fazer um acompanhamento histórico, integrantes do programa calcularam o IDH do Brasil da última década seguindo a nova metodologia. "São esses números que podem ser confrontados. E, por esse aspecto, o Brasil cresceu bastante." O salto do Brasil se deve ao desempenho apresentado nas taxas de expectativa de vida, renda e escolaridade média de pessoas com mais de 25 anos.
A expectativa de vida do brasileiro é de 72,9 anos. A média de anos estudados de pessoas com mais de 25 anos está em 7,2. Já o rendimento nacional bruto é US$ 10.607. "O País cresceu de forma harmônica em várias áreas. Não foi algo pontual", analisa Comim. Para ele, isso é que contribuiu para o desempenho nacional apresentado este ano fosse significativamente maior do que em 2009.
O que ainda amarra a colocação nacional é a qualidade da educação, avaliada pelo novo índice "anos de estudo esperados"', uma espécie de expectativa de vida educacional. Ao longo dos últimos cinco anos, o número de anos escolares esperado caiu de 14,5 para 13,8.
América Latina
Apesar da evolução durante o ano, o Brasil continua a exibir um IDH menor do que a média da América Latina e Caribe, que é de 0,704. A comparação com alguns países vizinhos também é desfavorável. A estimativa é de que um brasileiro viva menos 5,9 anos, tenha média de escolaridade 2,5 anos menor e consuma 28% menos do que uma pessoa nascida no Chile, o 45º no ranking. Outros países também apresentaram classificação melhor: Argentina (46º), Uruguai (52º), Panamá (54º), México (56º), Costa Rica (62º) e Peru (63º).
Ao longo da década, o Brasil apresentou um crescimento médio anual de 0,73% no IDH. Um ritmo considerado muito bom. Mas, entre grupo de países de alto desenvolvimento humano, há exemplos de velocidade significativamente maior. Casaquistão, por exemplo, cresceu 1,51% e Azerbaijão, 1,77%. A Romênia, com ritmo de crescimento de 1,06%, estampa a diferença que tal índice pode provocar. Em 2005, o país dividia com Brasil a mesma colocação. Agora, ele ocupa o 50º lugar no ranking, 22 à frente do Brasil.
Desigualdade social
Na edição deste ano do relatório, o PNUD lançou três índices. Um deles, é o Índice de Desenvolvimento Humano ajustado à Desigualdade (IDHD). Em vez de considerar apenas a média dos indicadores, ele considera também a forma como é feita a distribuição dos recursos na saúde, na educação e no rendimento. Quanto maior a desigualdade, maior a perda que o país apresentaria na classificação geral.
Caso tal índice fosse levado em consideração, o Brasil teria uma classificação 15 posições mais baixas do que a alcançada no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). As desigualdades levariam a uma perda de 27,2% no índice geral. A nota cairia de 0,699 para 0,509.
De acordo com novo indicador, a maior desigualdade no Brasil é registrada no rendimento: a perda provocada pelas diferenças nesta área seria de 37,6%. Em segundo lugar, vem a educação, com perda de 25,7%. O menor impacto foi registrado na área da saúde: 16,5%. Os números do relatório, no entanto, mostram que a desigualdade, embora marcante no Brasil, vem caindo na última década. Caso o IDHD fosse aplicado em 2000, a perda do Brasil seria de 31%. Em 2005, esse índice cairia para 28,5%.
O ranking de desigualdade foi preparado a partir de microdados. Eles permitem uma avaliação mais detalhada, mas têm um inconveniente: nem todos os países têm as informações necessárias. A saída para essa lacuna foi reduzir o número de países analisados. Trinta dos 169 países que participaram do IDH ficaram de fora no IDHD por falta de dados.
O segundo novo índice preparado pelo Programa das Nações Unidas mostra que 8,5% da população brasileira sofre vários reflexos da pobreza de forma simultânea, como deficiências na saúde, educação, dificuldades de acesso a serviços de água e esgoto, eletricidade. É a chamada pobreza multidimensional. "As privações se sobrepõem. A ideia do índice foi verificar a frequência e a intensidade dos problemas vividos pela parcela mais pobre da sociedade", explica Comim.
Pobreza
O Índice de Pobreza Dimensional (IPM), como foi batizado, varia de zero a um. Quanto mais próximo de um, pior a situação do País. Nesta primeira edição, o índice do Brasil foi de 0,039. "Um valor baixo, em termos internacionais", afirma Isabel Pereira, integrante da equipe que preparou o relatório. Níger, por exemplo, tem 0,642. O resultado brasileiro, no entanto, é 2,6 vezes maior do que o mexicano e 3,5 maior do que o argentino.
De acordo com esse novo índice, a maior pobreza encontra-se na área da educação: 20,2% das famílias trazem privações nessa área. Em segundo lugar, vem a saúde: 5,2%. O padrão de vida vem em último lugar, com 2,8%.
O terceiro índice preparado pelo PNUD avalia a desigualdade de gênero (IDG). A desigualdade apresentada nesta área também levaria o Brasil a cair na classificação geral. Em vez do 73º lugar, ele passaria a ocupar o 80º. A nova ferramenta do PNUD para avaliar a desigualdade é feita a partir de cinco indicadores, distribuídos em três dimensões: saúde reprodutiva, "empoderamento" (capacidade das pessoas tomarem decisões por conta própria) e mercado de trabalho. Desses quesitos, taxa de mortalidade materna e fertilidade na adolescência são os que mais pesam para a queda de classificação no Brasil. Em seguida, vem a participação política.
Os índices mostram que 110 mulheres a cada 100 mil nascidos vivos morrem em decorrência de complicações do parto. Um índice 18 vezes maior do que o primeiro colocado no Índice de Desigualdade de Gênero, os Países Baixos, com 6 mortes. A enorme diferença se repete nas taxas de fertilidade entre adolescentes. A cada 100 mil mulheres com idade entre 15 e 19 anos, 75,6 engravidam no Brasil. Número 19,8 vezes maior do que o registrado nos Países Baixos, de 3,8.
Em um único aspecto o Brasil mostra desigualdade a favor das mulheres: a taxa de escolaridade. "Há um porcentual maior de mulheres que completaram o ensino secundário. Mas isso não se reflete na taxa de participação de força laboral", afirma Comim.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Preliminar do Censo 2010 contabiliza mais de 185 milhões de habitantes

RIO - A população brasileira chegou a 185.712.713 pessoas, segundo os resultados preliminares do Censo 2010, divulgados na manhã desta quinta-feira, 4. Segundo a assessoria do IBGE, o trabalho de análise dos dados prossegue e esse resultado ainda deverá ser revisado nos próximos dias. A coleta do Censo foi realizada entre 1º de agosto e 31 de outubro.

De acordo com o instituto, a população de cada município será publicada, também hoje, no Diário Oficial da União. Esses resultados serão apresentados às prefeituras por meio de ofício do IBGE e em reuniões das Comissões Censitárias Estaduais (CCE) e das Comissões Municipais de Geografia e Estatística (CMGE). A partir de hoje, as prefeituras terão 20 dias para apresentar suas avaliações sobre os números divulgados e, no dia 29 de novembro, o IBGE divulgará os resultados das populações dos municípios.

Segundo a nota, 'durante esse prazo, o IBGE continuará com suas equipes nas ruas e trabalhando internamente na supervisão e no controle de qualidade de todo o material coletado e para prestar os devidos esclarecimentos, quando necessários, aos integrantes das CCE e CMGE e às prefeituras. Uma das atividades de supervisão consiste no retorno aos domicílios onde o recenseador encontrou evidência de morador, mas ninguém foi recenseado. Para agendar a entrevista, a população pode até o dia 24 ligar gratuitamente para 0800-7218181 ou enviar formulário através do site do Censo 2010.

De acordo com a nota, iniciado em 1º de agosto de 2010, o 12º Censo Demográfico brasileiro percorreu nos últimos três meses, os 8.514.876,599 km² do território nacional, nos 5.565 municípios brasileiros. Através do trabalho de 191 mil recenseadores, entre outros profissionais, o Censo Demográfico levantou informações sobre todos os 5.565 municípios brasileiros e, para alguns quesitos, trará dados até mesmo para bairros e distritos. O Censo investiga as características dos domicílios, as relações de parentesco, fecundidade, educação, trabalho, renda, cor e raça e religião.

De acordo com o Censo, São Paulo continua sendo o Estado brasileiro mais populoso, com 39.924.091 de habitantes. Minas Gerais e Rio de Janeiro vêm em seguida, com 19.159.260 e 15.180.636 pessoas, respectivamente.

Brasil ocupa 73ª posição entre 169 países no IDH 2010

Relatório aponta educação de baixa qualidade como principal problema.
A partir deste ano, IDH foi feito com base em novos cálculos e variáveis.
Do G1, em Brasília

imprimir O relatório do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) para 2010, divulgado nesta quinta-feira (4), mostra o Brasil na 73ª posição entre 169 países. Os cinco primeiros colocados são, pela ordem, Noruega, Austrália Nova Zelândia, Estados Unidos e Irlanda. O cinco últimos são Zimbábue, República Democrática do Congo, Níger, Mali e Burkina Faso.

Como neste ano o IDH sofreu mudanças metodológicas, não é possível comparar a posição do Brasil com as de anos anteriores.

saiba mais

Brasil é o 11º no ranking do IDH da América Latina. Mas, para se obter uma base de comparação, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) recalculou os dados brasileiros dos últimos dez anos com base na nova metodologia.

Por esse recálculo, o Brasil ganharia quatro posições e registraria crescimento de 0,8% no índice. Em 2010, com a nova metodologia, o IDH brasileiro foi de 0,699, numa escala de 0 a 1. Em 2009, com a metodologia antiga, o Brasil ocupava a 75ª posição no ranking, com IDH de 0,813.

Segundo o relatório deste ano, o IDH do Brasil apresenta "tendência de crescimento sustentado ao longo dos anos".

Mesmo com a adoção da nova metodologia, o Brasil continua situado entre os países de alto desenvolvimento humano, como em 2009.

De acordo com o relatório, o rendimento anual dos brasileiros é de US$ 10.607, e a expectativa de vida, de 72,9 anos. A escolaridade é de 7,2 anos de estudo, e a expectativa de vida escolar é de 13,8 anos.

De acordo com o economista Flávio Comim, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), no novo IDH "o Brasil continua na sua trajetória, que é uma trajetória muito harmônica, ou seja, o IDH brasileiro vem crescendo igualmente nas três dimensões [saúde, educação e renda]".

O relatório destaca o "sucesso econômico recente" do Brasil, que desafiou "a ortodoxia do Consenso de Washington", um receituário de medidas liberais no campo econômico. Também são feitas referências positivas aos programas de distribuição de renda brasileiros.

De acordo com o relatório, 8,5% dos brasileiros são pobres e "sofrem privação" em saúde, educação e renda. Destes, o principal item, segundo o relatório, é a educação. "O que mais pesa na pobreza é a educação. O novo IDH mostra que é necessário dar mais importância à educação no Brasil", disse Comim.

Educação
Segundo Comim, o novo IDH é mais exigente quando se trata de educação. "Foram introduzidas novas variáveis, uma nova fórmula de cálculo, e, dentro dessa nova fórmula, um padrão mais alto sobre o sistema educacional e a qualidade desse sistema", explicou o economista.

"Então, não basta mais colocar as crianças e os jovens na escola. Agora, eles têm que estar na série adequada, na série que se espera que eles estejam para que você consiga dar a eles uma oportunidade igual", disse Comim. Segundo ele, "o desafio para o Brasil evoluir ficou maior".

"Com o novo IDH, você tem novos critérios, e é dentro desses novos critérios, que são mais qualitativos, que nós [o Brasil] devemos ser julgados. À medida que você levanta esses novos critérios, a ambição de ter um sistema educacional melhor, um sistema educacional mais justo, fica mais evidente do que era antes. Antigamente, nós tínhamos apenas taxa de matrícula e alfabetização. Hoje, temos um modelo dentro do qual nós estamos esperando que as pessoas estudem mais e com qualidade melhor, e é isso que está sendo refletido no novo IDH", explicou Comim.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Brasil está mudando mais rapidamente do que se imagina

imprimir O Censo 2010 ainda não acabou, mas já é possível tirar algumas conclusões sobre o que foi pesquisado. Os dados preliminares mostram que o Brasil está mudando mais rapidamente do que se imagina. E mais cedo do que se imaginava o país vai parar de crescer, a população vai se estabilizar. Isso cria vários desafios para as políticas públicas.

O prazo em que a população ainda está crescendo, ainda é jovem, é chamado de “bônus demográfico”. Nesse momento, há muita gente no auge da capacidade de aprendizado, no auge da capacidade produtiva. Um país com essas características pode dar um salto econômico importante, desde que eduque a população.

Se não educar, a população envelhece antes de enriquecer. Nenhum país no mundo enriqueceu sem educar sua população. Esse é o momento. Está ficando mais próximo de nós o momento que o Brasil vai parar de crescer.

Há outros desafios e oportunidades. É hora de ouvir os dados para orientar as políticas públicas.

sábado, 23 de outubro de 2010

G20 faz acordo sobre política monetária e reforma do FMI

GYEONGJU, Coreia do Sul (Reuters) - Os países que compõem o G20 chegaram a um acordo no sábado para deter as desvalorizações competitivas de moedas, embora não tenham conseguido um consenso sobre uma linguagem mais firme que poderia ter estimulado o dólar.

Durante uma reunião na Coreia do Sul, a crescente influência das grandes nações emergentes foi reconhecida em um surpreendente pacto para dar-lhes maior participação no Fundo Monetário Internacional (FMI).

Os esforços dos Estados Unidos para limitar os atuais desequilíbrios das contas correntes a 4 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), uma medida que apontava diretamente ao superávit da China, encontraram resistência em várias nações.

Os membros do G20 se comprometeram em um comunicado a "regular as desvalorizações competitivas de suas moedas", enquanto as nações em desenvolvimento prometeram reduzir seus déficits orçamentários ao longo do tempo e tomar ações para controlar os desequilíbrios das contas correntes.

"Para que o mundo possa crescer a um ritmo forte e sólido no futuro... precisamos trabalhar para conquistar um maior equilíbrio no caminho da expansão global enquanto nos recuperamos da crise", disse o secretário do Tesouro norte-americano, Timothy Geithner.

As propostas dos Estados Unidos para regular os desequilíbrios das contas correntes acontecem enquanto Pequim acumulou 2,65 trilhões de dólares em reservas de moeda oficial como consequência de seu enorme superávit comercial, o que levou a Câmara dos Deputados norte-americana a aprovar uma lei que ameaça retaliações a menos que a China permita o fortalecimento de sua moeda.

Autoridades chinesas não fizeram comentários sobre a disputa, mas uma fonte do G20 disse que Pequim era contra qualquer comunicado que comprometesse explicitamente os países a limitar seus balanços de conta corrente ou com qualquer outro regulamento sobre política monetária.

As tensões que no encontro levaram Japão e China a rebater as propostas norte-americanas continuaram até depois do fim da cúpula.

A Alemanha disse que havia críticas à política norte-americana de injetar dinheiro no sistema bancário que terminou chegando a economias emergentes como o Brasil, causando bolhas nos preços dos ativos.

"Tentei deixar claro em minha contribuição a discussão que considero (o relaxamento) uma forma errada de atuar", disse o ministro alemão de Economia, Rainer Bruederle.

"Um excessivo e permanente incremento no dinheiro (injeção de fundos) é, sob meu ponto de vista, uma manipulação indireta da taxa (de câmbio)", afirmou.

Contudo, a Coreia do Sul foi mais otimista sobre o resultado da reunião e disse que o G20 estava ajudando a acabar com a incerteza dos mercados.

"Isso terminará com a controvérsia pela taxa de câmbio", afirmou o ministro sul-coreano de Finanças, Yoon Jeung-hyun.

MAIS PARTICIPAÇÃO NO FMI

O acordo de reforma do FMI foi descrito como um momento "histórico" pelo diretor-gerente do fundo, Dominique Strauss-Kahn, o que levará aos europeus entregar duas vagas no conselho de direção e 6 por cento a mais de poder de votação às nações emergentes.

"Esta é a maior reforma já realizada na direção da instituição", afirmou a jornalistas Strauss-Kahn, quem está no comando do organismo de 187 países.

O acordo transformará a China no terceiro integrante mais poderoso do FMI, superando potências tradicionais como Alemanha, França e Itália. A Índia passará do 11o ao oitavo lugar.

"Nossa demanda era de que a cota de participação deveria refletir a realidade e as fortalezas econômicas atuais, (caso contrário) teria danificado a credibilidade da instituição. Isso está sendo corrigido agora", disse o ministro de Finanças indiano, Pranab Mukherjee.

O G20 decidiu há um ano entregar ao menos 5 por cento dos direitos de votação a nações em desenvolvimento como Índia e Brasil, cujo peso dentro do FMI não estava de acordo com seu ritmo de desenvolvimento.

domingo, 10 de outubro de 2010

Mundo festeja o 10/10/10, 'Dia das Soluções Climáticas'

NOVA YORK, EUA (AFP) - Milhares de pessoas em todo o mundo participaram neste domingo do "Dia Internacional das Soluções Climáticas", deixando de sair de carro, recolhendo lixo e plantando árvores, para sensibilizar o planeta contra o efeito estufa.

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Batizado "10/10/10", já que acontece no dia 10 de outubro de 2010, este evento organizado pela ONG 350.org pretende ser o dia mais longo de ações cívicas em defesa do clima, mediante 7.347 manifestações anunciadas em 188 países.

"Os únicos países que não participam são Guiné Equatorial, San Marino e Coreia do Norte. Trata-se, em conseqüência, do dia de ações em defesa do meio ambiente mais seguido no mundo", declarou o fundador da 350.org, Bill McKibben.

"Que eu saiba, é o dia de compromisso cívico que envolve o maior número de países na história do planeta", afirmou à AFP, entrevistado por telefone em Washington.

O "Dia Internacional de Soluções Climáticas" teve início na Austrália e na Nova Zelândia, e depois de prolongou pelo continente asiático, antes de chegar à Europa, África e América.

Em Paris, uma multidão invadiu a Praça do Hotel de Ville para assistir a um show gratuito, enquanto que em Lisboa uma associação ecológica convocou uma concentração de ciclistas para formar o número 350 às margens do Tejo.

O número "350" é uma alusão à concentração de CO2 na atmosfera: 350 partes por milhão (ppm), uma quantidade que não se pode ultrapassar para evitar uma alta incontrolável da temperatura, segundo alguns cientistas.

Na África, entre 150 e 200 pessoas se manifestaram no mercado de Muthurwa, um bairro pobre de Nairóbi.

Na Ásia foram realizadas ações em diferentes partes do continente.

Em Pequim, centenas de pessoas desfilaram pelas ruas recolhendo lixo, indicou Christian Teriete, da associação Global Campaign for Climate Action. Mais de 30.000 estudantes de 200 universidades lançaram um programa nacional, pedindo para agir de maneira prática contra a mudança climática, principalmente recolhendo lixo.

Em Manila, milhares de pessoas participaram numa corrida destinada a chamar a atenção sobre o rio Pasig, muito contaminado.

Na Austrália foram realizados programas para promover o uso de bicicletas, plantar árvores, compartilhar dicas de jardinagem biológica e ouvir conferências sobre a redução das emissões de gás de efeito estufa.

No Brasil, o Festival SWU Music and Arts, que acontece no interior de São Paulo, promove o "Fórum Global de Sustentabilidade" para debater com o público soluções para tornar o mundo mais sustentável.

Em Nova York, os voluntários da organização "NYC coolroofs" (telhados frescos da cidade de Nova York) se dedicaram a pintar de branco os telhados da cidade, tradicionalmente negros, uma cor que favorece a absorção dos raios solares e que faz moradias se aquecerem muito e usarem mais ar condicionado nos meses quentes.

Em todos os Estados Unidos foram realizadas ações como plantar arvores e recolher lixo, passando por reuniões de conscientização organizadas por grupos ambientalistas.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Dirigente da ONU quer mostrar que acordo climático é possível

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TIANJIN, China (Reuters) - A principal autoridade da ONU para questões climáticas pediu nesta segunda-feira que os governos deem passos concretos pela adoção de um novo tratado contra o aquecimento global, sob risco de pôr em dúvida todo o processo de negociação.

Representantes dos governos nacionais estão reunidos na cidade portuária chinesa de Tianjin para mais uma rodada de discussões sobre um documento que substitua o Protocolo de Kyoto, que expira ao final de 2012.

As negociações têm esbarrado nas desconfianças entre países ricos e pobres, nas exigências de maior transparência a respeito das metas de redução das emissões de poluentes e nas discordâncias sobre o tamanho dos cortes oferecidos pelas nações desenvolvidas.

Uma tentativa de resolver o impasse na conferência climática de 2009, em Copenhague, terminou em fracasso, e pouca gente espera um resultado diferente da cúpula de novembro deste ano, em Cancún (México). A maior expectativa agora é que o novo tratado seja aprovado no ano que vem na África do Sul.

"Agora é a hora de acelerar a busca por um terreno comum", disse Christiana Figueres, secretária-executiva da Convenção Quadro da ONU para a Mudança Climática, aos delegados de quase 180 países reunidos na sessão de abertura da reunião de Tianjin, que vai até sábado.

"Um resultado concreto em Cancún é crucialmente necessário para restaurar a fé e a capacidade das partes para levar o processo adiante, para evitar que o multilateralismo seja percebido como uma estrada que nunca termina", afirmou ela em seu discurso.

O evento de Tianjin é a última reunião de trabalho importante antes da conferência de Cancún, que começa em 29 de novembro.

"Esta semana será, até certo ponto, um indicativo de até onde poderemos ir", disse o negociador dos EUA em Tianjin, Jonathan Pershing, à Reuters.

"Atualmente parece que a diferença é bastante grande, mas há esperança de chegar a um consenso em torno de algumas questões", declarou o negociador chinês Xie Zhenhua a jornalistas.